Quarta-feira, 14 de Março de 2007

APELO À SENSATEZ!!!

Senhores Enfermeiros, de uma vez por todas, vamos ver se nos entendemos numa coisa. Os raciocínios são muito simples:

- a partir do momento, em que há um enfermeiro desempregado (o que, na realidade, se transpõe para outra ordem de grandeza bem diferente) significa que se criou mão-de-obra excedente, pois a oferta é maior do que a procura.

Quem ainda não viu desemprego em Enfermagem, que se dirija ao gabinete do Enfermeiro Director do hospital onde trabalha, ou então que vá falar com o coordenador da sub-região de saúde do seu distrito e pergunte, a uma dessas entidades, o número de candidaturas de enfermeiros a emprego. A Ordem dos Enfermeiros, há bem poucos meses, enviou uma carta a todos os membros, onde estes, entre outras coisas, deveriam escrever a(s) instituição(ões) onde laboram. Também se pode, através desse documento, verificar o número de enfermeiros que não assinalaram nenhuma instituição, até àquela data (e não venham dizer que omitiram voluntariamente esse ponto).

- em nada adianta querer impor um rácio enfermeiro/utente, quando sabemos todos que os utentes NUNCA irão usufruir dele.

Vamos ser realistas:
Concordamos que as instituições de saúde, de facto, necessitam de mais enfermeiros. Porém, há algo que é inegável. As mesmas não os absorvem e se não os absorvem é porque eles não são necessários aos olhos de quem tem o poder para empregar. E porquê? Vamos dar algumas razões:

- existência de um serviço nacional de saúde que zela por tudo, excepto pelos utentes;

- restrições orçamentais (há uns anitos, disseram-nos que o país estava «de tanga», logo a seguir e até hoje ainda nos mandam «apertar o cinto»; quem pensou que a Saúde não seria afectada, pensou mal);

- existência de duplo emprego, sendo mais preocupante o facto de haver enfermeiros a trabalhar, em regime de full-time, em entidades públicas simultaneamente (por mais que se aumentem salários, esta situação dificilmente se alterará);

- mal ou bem, um enfermeiro continua a trabalhar por muitos, sem reclamar. Apelamos aos colegas que defendem a carência de profissionais que se manifestem formalmente. Não é preciso muito: basta justificarem, em notas de enfermagem, por que não realizaram determinada(s) intervenção(ões) durante a prestação dos vossos cuidados. Assim, contribuirão favoravelmente para que os empregadores vejam que afinal os enfermeiros não chegam para a encomenda;

- mais recentemente, surgiu a moda dos «Estágios Profissionais Não Remunerados», ou remunerados com 2 salários mínimos (806€ no total), quando é o Centro de Emprego a arranjá-los, ou estágios de voluntariado com direito a subsídio de alimentação e transporte.

Apesar de não justificar a não absorção de enfermeiros no mercado de trabalho, também se verifica que existe, por vezes, uma má distribuição dos recursos humanos de enfermagem pelos serviços.

Por outro lado, se o objectivo da multiplicação de enfermeiros, em Portugal, é que estes passem a trabalhar por conta própria, há que ter em conta que nenhum recém-licenciado é filho do Engº Belmiro de Azevedo. O negócio por conta própria não é muito atractivo para alguém que não tem apoio financeiro, nem grande experiência na área. Ninguém se sente plenamente seguro ao fazer um investimento, quando possui pouca experiência e pouca ou nenhuma «massa». Além disso, muitos de nós temos consciência de que não somos bons patrões para nós próprios.

Quem anda a tramar os Enfermeiros?
Andamo-nos todos a tramar uns aos outros. E todos são a Ordem dos Enfermeiros, os sindicatos, as escolas de enfermagem e seus docentes, os enfermeiros, os futuros enfermeiros...
Claro que uns, pelos cargos que lhes foram conferidos, têm mais responsabilidades...

É atribuído a cada papel, que cada um desempenha, uma série de expectativas. Quanto mais relevante é esse papel, maiores serão as expectativas. Só lamentamos que àqueles a quem, de direito, foram atribuídos papéis relevantes, os queiram tornar irrelevantes ou até omissos. Quiseram voar alto (e ainda bem que assim é, porque os líderes têm de existir e são necessários) e, portanto, têm de assumir os riscos desse vôo (ou acreditavam que iria ser tudo um banho de elogios e bajulações?).

Vivemos numa democracia: temos o direito de protestar quando achamos que estamos a ser prejudicados. Fazem-se de surdos e cegos: continuaremos a protestar...
Nas Petições que iremos entregar à Bastonária e aos ministros da Saúde e Ensino Superior, propomos soluções. Se estas não forem aceites, então exigiremos soluções que vão de encontro aos interesses da classe. E dizemos da classe, uma vez que a criação de excedentes tem mais aspectos negativos do que positivos e ninguém pode dar como assegurado o estatuto que detem hoje.
«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», já dizia Camões.

Cordiais Saudações,
Enfermeiros Unidos.

publicado por enfermeirosunidos às 00:02
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