Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

Assembleia Extraordinária da OE

Colegas, este texto foi retirado do site do Sindicato dos Enfermeiros http://sindicato.enfermeiros.pt/content/view/298/ e não é mais do que a verdade nua e crua daquilo que se passa na Enfermagem.

 

Aos 14 dias do mês de Abril do ano 2007, pelas 14 horas teve lugar a AG extraordinária para dar continuidade aos pontos que, da anterior, ficaram por resolver, um dos quais era a aprovação das alterações do Estatuto a ser presente à Assembleia da República.

Destinadas a possibilitar à OE o reconhecimento da formação especializada feita fora das escolas, já que nestas deixou de existir, é um instrumento fundamental para que os Enfermeiros, como outros já fazem se possam especializar por conta própria e verem a sua formação reconhecida.

Impõe-se perguntar:

1 . Por que não estavam contidas nas competências da OE esta do reconhecimento das especializações?

2 . Por que resistem tanto alguns dos que vêem fugir por entre os dedos, qual areia fina, uma prerrogativa, que julgavam adquirida; a de formarem especialistas de modo exclusivo?

 

Convém não perder de vista a Comissão Instaladora da OE e a sua composição, para se poderem analisar os denodados esforços de implantação do exclusivo de habilitar especialistas, mesmo que de forma desnaturada e aberrante, nas escolas.

Quando se pensava que estava tudo resolvido é dada a licenciatura aos enfermeiros, como saída única e natural, ao optar-se pela via uni-etápica, de 4 anos. Com esta medida chegava ao fim a equivalência a licenciatura, através do bacharelato mais uma especialização, fosse denominada diploma de estudos superiores especializados; fosse ela curso de estudos superiores especializados. DESE ou CESE, fazia, então, sentido que essa formação complemento de um bacharelato para obter um título de licenciado a conferir pela escola, fazia sentido que tal formação fosse feita lá.

 

Temos dito isto vezes sem conta, para quem nos lê e ouve.

Seguiu-se um complemento do bacharelato, para obtenção da licenciatura que, entretanto, está a dar os últimos suspiros. Com o seu termo a Enfermagem caminha a passos largos e rápidos para a normalização no campo dos estudos superiores.

 

Naturalmente os docentes que integravam os Corpos Sociais da OE e os que os apoiavam, tiveram a infeliz ideia de tentarem perpetuar a sua influência sobre a Profissão, que condicionaram, durante décadas, numa época em que as competências legais do exercício dos Enfermeiros eram as que constavam do currículo escolar, porque tinha sido assim, com os Auxiliares de Enfermagem e Enfermeiros, para os diferençar, entenda-se: para se guerrearem mutuamente, visto que, no dia seguinte ao termo do curso dos auxiliares, a punção venosa que não constava do seu currículo escolar, era-lhe imposta com toda a violência pelas circunstâncias, pois eram eles que ministravam toda a terapêutica, incluindo a intravenosa. Eis um bom e claríssimo exemplo de que a escola não ensina tudo. È prova seguro de que o currículo escolar é o princípio de um percurso profissional, que a prática vai enriquecendo, com as experiências novas e actuais.

 

É nesta prática ancestral que radica a “ambição” de a escola tentar, na actualidade, condicionar a prática da Enfermagem, fazendo crer que, somente o que a escola ensina é legal e correcto, desvalorizando sistematicamente o saber feito da experiência, caso único.

Ora quem assim pensa está redondamente enganado, caso esteja de boa fé, como enganados estavam e estão ainda, os que pretenderam encaixar as especializações nas escolas como “pós-graduações”. Esta via é redutora e muito dispendiosa para quem frequenta  estes programas, enquanto o Estado, principal interessado e beneficiado, esfrega as mãos de contente, por ter gratuitamente, nos Enfermeiros, uma formação especializada, sem investir um cêntimo, enquanto a de outros custa rios de euros sem a garantia de compensarem quem a pagou.

 

Foi parte disto que esteve em discussão e votação na AG.

Era notório o folgo estertoroso, dos docentes presentes, ao adivinharem a morte certa duma tradição errada que foram alimentando, à custa dos Enfermeiros: as ditas pós graduações.

Tempos houve em que os docentes de Enfermagem eram os que mais vezes apareciam em público, pela sua disponibilidade e por causa duma excessiva modéstia dos outros, mesmo treinados para falarem, em público. Podiam considerar-se os “ideólogos” da “coisa”.

 

Mas, de tão entretidos que andavam a engrandecer o seu “ego” nem se aperceberam que a sua falta de contacto com a realidade, não obstante o esforço que alguns fazem para visitarem os campos de manobras, como cão que passa pela vinha vindimada, desinseriu-os da realidade e deixaram de preparar convenientemente os alunos para uma vida de trabalho diversificado, que os espera. Em simultâneo, foram perdendo o auditório pelo discurso vazio de conteúdo. Deixou de ter interesse.

 

O tempo em que os Enfermeiros tinham à sua escolha o hospital e ou o centro de saúde, de preferência o mais próximo possível da sua residência, finou-se e não volta mais. As escolas dividiam, e dividem os campos de estágio por estes dois tipos de instituição, enquanto um conjunto de actividades que se reportam ao âmbito profissional dos Enfermeiros estão a fugir para bombeiros, paramédicos, auxiliares de farmácia, auxiliares disto e daquilo, técnicos de ambulância, enfim…

 

Os Enfermeiros estão a ser treinados para o desemprego, pois o governo não preenche as lacunas que tem; por seu turno, até outros Enfermeiros, a quem puseram a vergasta na mão, para testarem a sua apetência de vilão, ajudam a explorar os colegas.

 

A escola prepara-os para os modelos de acção exclusivista no hospital ou centro de saúde (esta segundo um modelo distorcido, àquem das suas possibilidades e competências); debatem-se com enormes dificuldades de sobrevivência e recompensa do esforço e investimento feito num curso à mercê dos exploradores de mão-de-obra barata. Não lhes foram dadas outras perspectivas, nem outros treinos.

 

Demonstrando um défice brutal de inteligência, alguns professores falhados, ajudam agora, a preparar bombeiros para partejar, em vez de contribuírem para impor respeito a si próprios, enquanto parteiras, primeiramente; pelos colegas desempregados ou não, secundariamente.

 

É neste universo que o papel da OE é importante, ao dispor de mecanismos e competências para reconhecerem coisas que são feitas pelos Enfermeiros, que vão distendendo a sua actividade em função dos princípios básicos, enformadores da Enfermagem, mesmo que resultem da sua capacidade de iniciativa e não do que aprenderam ou não, na escola, encalhada num determinado paradigma (hospital - centro de saúde), quando existe.

 

Fora deste universo fechado, há mais mundo profissional aberto às novas experiências que os Enfermeiros podem e devem fazer, na procura de soluções para problemas velhos, que emergem dia-a-dia e que ficam a descoberto à mercê do curandeirismo incompetente.

 

Pelo que se disse e pelo muito que se pode dizer, ainda, é que o papel da escola é incompatível com o da Ordem, ou por outras palavras: a formação da escola parou com a emissão do diploma de curso, pois é este o seu campo de acção específico. É estática.

 

A formação profissional diária é constante e dinâmica; é progressiva. Por isso, só os parâmetros de qualidade crescente da OE a podem certificar.

 

Quem não perceber tudo isto, no todo ou em parte é… ou faz-se…

Não foram aprovados os artigos 7º - relativo e internatos e eficácia inicial da licenciatura e o 77º - relativo à incompatibilidade do título de enfermeiro com o de outras profissões como homeopatia, acupunctura, apesar de a prática não o ser. Não obstante foram rejeitados, pelo que não alteram a situação.

“Vale”.

publicado por enfermeirosunidos às 23:58
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